10 Dezembro 2009
02 Novembro 2009

Não vou mentir e dizer que sinto falta do passado. De quando eu acreditava que me casaria com o meu primeiro amor (esse que teria filhos e seria para sempre apaixonada e fiel), de quando nunca pensei ser traída por um amigo, de quando via mais verdade nos olhos das pessoas, de quando confiei e pensei "quem ama não mente e respeita", da minha essência ultra romântica (essa é que não sinto falta mesmo) - mas também não posso dizer que nada me falta (Já que uma coca-cola agora seria maravilhoso!). * Kidding *
Como vi uma amiga falar certa vez:
- Saudades do que nunca tive.
É... deve ser saudades.
O mundo e as pessoas já são para mim como são. E a única coisa que desejo delas é admiração. Ainda espero admiração de quem é capaz de ouvir minhas verdades ou uma simples piada sem graça.
Hoje em dia, meu passatempo é roubar e ganhar risadas por aí.
-
Sem esperar nada,
Sem saber nada,
Sem ter e sem querer.
Eu simplesmente vou de encontro
a qualquer coisa que exista.
Um futuro que não penso mais,
que tenho por "tanto faz".
Já não me toca,
a poesia.
A burra poesia,
que tanto desperdiçada
já não me define mais.
que faço por "tanto faz".
Débora Gil.
07 Outubro 2009
Quebra Mar
Ela já não sabe mais o que diz
Não toma conhecimento dos sentimentos
Que a trouxeram aqui
A beira mar
Perdeu-se naquele dia
Daquela semana
Do mesmo mês
Em que cheguei
Em sua vida
Agora nada a faria decidir ficar
Dentre aquelas lindas melodias que fiz
Pede mais um pouco de calma a si mesma
E não entende o sentir, o sentido
Pois não aceitou o que faltava
Reclama quando o amigo cala
Porque precisa de ordens do que se deve fazer
E se faz não sabe o que fez
E se fez se arrependeria uma vez
Que se sentiu... Suja
É à força da construção contra as ondas
O que era natural, o oposto artificial
Mas que agora faz de tudo para se mostrar maior
Do que qualquer flor.
Débora Gil.
Não toma conhecimento dos sentimentos
Que a trouxeram aqui
A beira mar
Perdeu-se naquele dia
Daquela semana
Do mesmo mês
Em que cheguei
Em sua vida
Agora nada a faria decidir ficar
Dentre aquelas lindas melodias que fiz
Pede mais um pouco de calma a si mesma
E não entende o sentir, o sentido
Pois não aceitou o que faltava
Reclama quando o amigo cala
Porque precisa de ordens do que se deve fazer
E se faz não sabe o que fez
E se fez se arrependeria uma vez
Que se sentiu... Suja
É à força da construção contra as ondas
O que era natural, o oposto artificial
Mas que agora faz de tudo para se mostrar maior
Do que qualquer flor.
Débora Gil.
01 Setembro 2009
E o que se sabia de valor
Rende-se, o meu sonho
Pelo ego, entrego-me
Pelo eco, submeto-me ao vazio
de estar apenas cheia de mim
Quando o cheio de si é tão sublime
Quando o cheio do outro é mais
Já não se tem mais
Somos patifes e bifes
Podres
Somos feios lixo feito
Sou extremo
Sou dois lados opostos
de mim
Podres
Sem valor.
Débora Gil.
02/09/09
Pelo ego, entrego-me
Pelo eco, submeto-me ao vazio
de estar apenas cheia de mim
Quando o cheio de si é tão sublime
Quando o cheio do outro é mais
Já não se tem mais
Somos patifes e bifes
Podres
Somos feios lixo feito
Sou extremo
Sou dois lados opostos
de mim
Podres
Sem valor.
Débora Gil.
02/09/09
27 Agosto 2009
Surreal, neh!?

Posso dizer que nunca me arrependi de tentar. E tendo fracassado ou não nessas tentativas, ainda prefiro ser assim.
Podem me chamar de boba, pois muitas vezes eu mesma me chamei, mas o que me sinto agora é limpa. Limpa por não ter desistido nos primeiros tropeços, mais limpa ainda por achar que esses são os ultimos. Os ultimos de muitos novos que virão... mas pra mim isso vai ser fichinha.
Orgulho-me por não desistir dos meus sentimentos como quem masca um chiclete que acabou por ficar sem gosto.
Os meus sentimentos, uso a favor da minha felicidade.
Não importa o valor que se tem, alguém simplesmente chega e te "vende" de graça, e não vai ser por isso que o seu valor vai ser igual a zero. E infelizmente não vai ser por isso que um outro irá pagar caro.
Se o mundo pudesse mudar por um desejo meu, seria capaz de dar a vida por isso. Em outro lugar, veria um mundo de pessoas mais acessíveis a si mesmas, de pessoas sem medo, sem precisar esconder nem se esconder.
Dariam o valor merecido da rosa.
Débora Gil.
27.08.09
18 Julho 2009
Um Apólogo de Machado de Assis
Um Apólogo
Era uma vez uma agulha, que disse a um novelo de linha:
— Por que está você com esse ar, toda cheia de si, toda enrolada, para fingir que vale alguma cousa neste mundo?
— Deixe-me, senhora.
— Que a deixe? Que a deixe, por quê? Porque lhe digo que está com um ar insuportável? Repito que sim, e falarei sempre que me der na cabeça.
— Que cabeça, senhora? A senhora não é alfinete, é agulha. Agulha não tem cabeça. Que lhe importa o meu ar? Cada qual tem o ar que Deus lhe deu. Importe-se com a sua vida e deixe a dos outros.
— Mas você é orgulhosa.
— Decerto que sou.
— Mas por quê?
— É boa! Porque coso. Então os vestidos e enfeites de nossa ama, quem é que os cose, senão eu?
— Você? Esta agora é melhor. Você é que os cose? Você ignora que quem os cose sou eu e muito eu?
— Você fura o pano, nada mais; eu é que coso, prendo um pedaço ao outro, dou feição aos babados...
— Sim, mas que vale isso? Eu é que furo o pano, vou adiante, puxando por você, que vem atrás obedecendo ao que eu faço e mando...
— Também os batedores vão adiante do imperador.
— Você é imperador?
— Não digo isso. Mas a verdade é que você faz um papel subalterno, indo adiante; vai só mostrando o caminho, vai fazendo o trabalho obscuro e ínfimo. Eu é que prendo, ligo, ajunto...
Estavam nisto, quando a costureira chegou à casa da baronesa. Não sei se disse que isto se passava em casa de uma baronesa, que tinha a modista ao pé de si, para não andar atrás dela. Chegou a costureira, pegou do pano, pegou da agulha, pegou da linha, enfiou a linha na agulha, e entrou a coser. Uma e outra iam andando orgulhosas, pelo pano adiante, que era a melhor das sedas, entre os dedos da costureira, ágeis como os galgos de Diana — para dar a isto uma cor poética. E dizia a agulha:
— Então, senhora linha, ainda teima no que dizia há pouco? Não repara que esta distinta costureira só se importa comigo; eu é que vou aqui entre os dedos dela, unidinha a eles, furando abaixo e acima...
A linha não respondia; ia andando. Buraco aberto pela agulha era logo enchido por ela, silenciosa e ativa, como quem sabe o que faz, e não está para ouvir palavras loucas. A agulha, vendo que ela não lhe dava resposta, calou-se também, e foi andando. E era tudo silêncio na saleta de costura; não se ouvia mais que o plic-plic-plic-plic da agulha no pano. Caindo o sol, a costureira dobrou a costura, para o dia seguinte. Continuou ainda nessa e no outro, até que no quarto acabou a obra, e ficou esperando o baile.
Veio a noite do baile, e a baronesa vestiu-se. A costureira, que a ajudou a vestir-se, levava a agulha espetada no corpinho, para dar algum ponto necessário. E enquanto compunha o vestido da bela dama, e puxava de um lado ou outro, arregaçava daqui ou dali, alisando, abotoando, acolchetando, a linha para mofar da agulha, perguntou-lhe:
— Ora, agora, diga-me, quem é que vai ao baile, no corpo da baronesa, fazendo parte do vestido e da elegância? Quem é que vai dançar com ministros e diplomatas, enquanto você volta para a caixinha da costureira, antes de ir para o balaio das mucamas? Vamos, diga lá.
Parece que a agulha não disse nada; mas um alfinete, de cabeça grande e não menor experiência, murmurou à pobre agulha:
— Anda, aprende, tola. Cansas-te em abrir caminho para ela e ela é que vai gozar da vida, enquanto aí ficas na caixinha de costura. Faze como eu, que não abro caminho para ninguém. Onde me espetam, fico.
Contei esta história a um professor de melancolia, que me disse, abanando a cabeça:
— Também eu tenho servido de agulha a muita linha ordinária!
Era uma vez uma agulha, que disse a um novelo de linha:
— Por que está você com esse ar, toda cheia de si, toda enrolada, para fingir que vale alguma cousa neste mundo?
— Deixe-me, senhora.
— Que a deixe? Que a deixe, por quê? Porque lhe digo que está com um ar insuportável? Repito que sim, e falarei sempre que me der na cabeça.
— Que cabeça, senhora? A senhora não é alfinete, é agulha. Agulha não tem cabeça. Que lhe importa o meu ar? Cada qual tem o ar que Deus lhe deu. Importe-se com a sua vida e deixe a dos outros.
— Mas você é orgulhosa.
— Decerto que sou.
— Mas por quê?
— É boa! Porque coso. Então os vestidos e enfeites de nossa ama, quem é que os cose, senão eu?
— Você? Esta agora é melhor. Você é que os cose? Você ignora que quem os cose sou eu e muito eu?
— Você fura o pano, nada mais; eu é que coso, prendo um pedaço ao outro, dou feição aos babados...
— Sim, mas que vale isso? Eu é que furo o pano, vou adiante, puxando por você, que vem atrás obedecendo ao que eu faço e mando...
— Também os batedores vão adiante do imperador.
— Você é imperador?
— Não digo isso. Mas a verdade é que você faz um papel subalterno, indo adiante; vai só mostrando o caminho, vai fazendo o trabalho obscuro e ínfimo. Eu é que prendo, ligo, ajunto...
Estavam nisto, quando a costureira chegou à casa da baronesa. Não sei se disse que isto se passava em casa de uma baronesa, que tinha a modista ao pé de si, para não andar atrás dela. Chegou a costureira, pegou do pano, pegou da agulha, pegou da linha, enfiou a linha na agulha, e entrou a coser. Uma e outra iam andando orgulhosas, pelo pano adiante, que era a melhor das sedas, entre os dedos da costureira, ágeis como os galgos de Diana — para dar a isto uma cor poética. E dizia a agulha:
— Então, senhora linha, ainda teima no que dizia há pouco? Não repara que esta distinta costureira só se importa comigo; eu é que vou aqui entre os dedos dela, unidinha a eles, furando abaixo e acima...
A linha não respondia; ia andando. Buraco aberto pela agulha era logo enchido por ela, silenciosa e ativa, como quem sabe o que faz, e não está para ouvir palavras loucas. A agulha, vendo que ela não lhe dava resposta, calou-se também, e foi andando. E era tudo silêncio na saleta de costura; não se ouvia mais que o plic-plic-plic-plic da agulha no pano. Caindo o sol, a costureira dobrou a costura, para o dia seguinte. Continuou ainda nessa e no outro, até que no quarto acabou a obra, e ficou esperando o baile.
Veio a noite do baile, e a baronesa vestiu-se. A costureira, que a ajudou a vestir-se, levava a agulha espetada no corpinho, para dar algum ponto necessário. E enquanto compunha o vestido da bela dama, e puxava de um lado ou outro, arregaçava daqui ou dali, alisando, abotoando, acolchetando, a linha para mofar da agulha, perguntou-lhe:
— Ora, agora, diga-me, quem é que vai ao baile, no corpo da baronesa, fazendo parte do vestido e da elegância? Quem é que vai dançar com ministros e diplomatas, enquanto você volta para a caixinha da costureira, antes de ir para o balaio das mucamas? Vamos, diga lá.
Parece que a agulha não disse nada; mas um alfinete, de cabeça grande e não menor experiência, murmurou à pobre agulha:
— Anda, aprende, tola. Cansas-te em abrir caminho para ela e ela é que vai gozar da vida, enquanto aí ficas na caixinha de costura. Faze como eu, que não abro caminho para ninguém. Onde me espetam, fico.
Contei esta história a um professor de melancolia, que me disse, abanando a cabeça:
— Também eu tenho servido de agulha a muita linha ordinária!
03 Julho 2009
Nem tanto quanto que particular
Estranho não! Mas esquisito? - Perguntou-se. E não é a mesma coisa? Ah, perguntas vem e vão. É aquela velha coisa sobre vontades, que "dá e passa"? Ora, se eu soubesse viver de deixar passar... prefiro nem... exagero. Mas o fato é que isso tem funcionado. Para ela.
Desceram a ladeira que os levava ainda mais para aquele precipício de fantasiosas ilusões e cordialidade. Cordialidade não recíproca, naquele momento.
Se lutava, pelo o que não sabia mais, as palavras saltavam de bolo por entre os lábios, inquietos de silêncio, anteriormente contínuo. Esse silêncio que outrora fora quebrado, mas infelizmente exposto como qualquer coisa. Como falar sobre o tempo, quando não se sabe do que falar.
Ora, ora! Que direito se tinha de não ser exposta? Que privilégio se teve por tanta sinceridade cuspida? Dias antigos. São dias antigos. Acabados! - Disse ela. Forçando-se a não folhear o livro melhor, o rancor continua pela capa falsa.
Como fazer de uma mentira, uma mentira dita? É um rio, um oceano de verdades deixado de lado. Focalizando cada vez mais na única mentira. Aquela que forço em convencê-la que é mentira. Pois isso é!
E isso foi depois do sol sair de trás da árvore. Depois de esperarem que ele fosse... Embora. Quando desceu, a racionalidade foi junto. Pela metade.
Sabe quando não se tem nada e cada vez mais nada? Não! Digamos, até se tem muita coisa... Mas onde diabos estariam? Notas altas num papel. Só se for! Água e pão para beber e comer. E nada afiado por perto. Pais vivos.
Mantinha-se próximo ao real, porém confundido entre fantasias. Como seria isso? Posso eu me dividir entre o feliz real e o triste fantasioso? É porque ao mesmo tempo o triste feliz fantasioso dói, sendo assim poderia dizer feliz? Ah, quantas perguntas idiotas. Idiotices, idiotices, idiotices. Acabou-se por tomar apego a essa estúpida palavra idiota: idiotices.
Ah, enquanto o sono não vinha era gostoso fantasiar sobre o futuro. Agora a gente reza para que o sono chegue logo, para ser privada disso e do sonho.
Débora Gil.
Desceram a ladeira que os levava ainda mais para aquele precipício de fantasiosas ilusões e cordialidade. Cordialidade não recíproca, naquele momento.
Se lutava, pelo o que não sabia mais, as palavras saltavam de bolo por entre os lábios, inquietos de silêncio, anteriormente contínuo. Esse silêncio que outrora fora quebrado, mas infelizmente exposto como qualquer coisa. Como falar sobre o tempo, quando não se sabe do que falar.
Ora, ora! Que direito se tinha de não ser exposta? Que privilégio se teve por tanta sinceridade cuspida? Dias antigos. São dias antigos. Acabados! - Disse ela. Forçando-se a não folhear o livro melhor, o rancor continua pela capa falsa.
Como fazer de uma mentira, uma mentira dita? É um rio, um oceano de verdades deixado de lado. Focalizando cada vez mais na única mentira. Aquela que forço em convencê-la que é mentira. Pois isso é!
E isso foi depois do sol sair de trás da árvore. Depois de esperarem que ele fosse... Embora. Quando desceu, a racionalidade foi junto. Pela metade.
Sabe quando não se tem nada e cada vez mais nada? Não! Digamos, até se tem muita coisa... Mas onde diabos estariam? Notas altas num papel. Só se for! Água e pão para beber e comer. E nada afiado por perto. Pais vivos.
Mantinha-se próximo ao real, porém confundido entre fantasias. Como seria isso? Posso eu me dividir entre o feliz real e o triste fantasioso? É porque ao mesmo tempo o triste feliz fantasioso dói, sendo assim poderia dizer feliz? Ah, quantas perguntas idiotas. Idiotices, idiotices, idiotices. Acabou-se por tomar apego a essa estúpida palavra idiota: idiotices.
Ah, enquanto o sono não vinha era gostoso fantasiar sobre o futuro. Agora a gente reza para que o sono chegue logo, para ser privada disso e do sonho.
Débora Gil.
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